Casamentos Alvorada, RS

Mini Wedding Foge Do Planejado Mas Noivos Decidem Ser Felizes

"Escreve aí: um dia nós ainda vamo guardar as dentadura no mesmo copo! " - Matheus Accacio, em post no Instagram um ano antes do casamento.


Se você está prestes a casar, eu peço que leia essa história de coração aberto. Porque a maneira como os noivos Vanessa e Matheus lidaram com todas as adversidades mudou a minha maneira de pensar o próprio casamento. Espero que a de vocês, também.


A Vanessa entrou em contato comigo quase um ano antes do grande dia. Alguns meses depois, o Matheus me mandou uma mensagem, com outra data e com uma mudança: a festa passou a ser programado para 12 pessoas. Estávamos naquele momento de reabertura das atividades em meio à pandemia e os mini casamentos (ou mini weddings) estavam sendo liberados aos poucos. Não parecia que a situação pioraria.


Eles estavam preocupados porque desejavam a transmissão ao vivo da cerimônia para o restante dos convidados e, na sua primeira opção de lugar, a internet poderia ser um problema. Já na segunda opção que possuíam, não sabiam se as fotos ficariam boas. 


Com a intenção de acalmá-los, eu separei seis imagens que provam que não é o lugar que faz a foto e mandei, contando a história de cada uma. Menos de dez minutos depois eles perguntaram se poderiam me ligar rapidamente - e fizeram uma chamada só para dizer que fechariam comigo.


Formalizada a contratação, passamos a conversar sobre o dia do sim. A Vanessa chegaria de Fusca, teríamos um discurso embaixo de uma figueira, com a celebração da união do casal, seguida de uma parte cantada e uma oração. A seguir, eles fariam a sua primeira dança como casados, em um trio de músicas coreografadas que representam um pouco dos universos deles (uma romântica, uma brincalhona e uma gauchesca). Finalizando a dança, a ideia era conversar com os convidados que estivessem assistindo ao vivo via Zoom. 


Bem, esse era o plano. Na semana do casamento, a situação da saúde no RS começou a piorar. Vieram decretos mais rígidos por parte do Governo, incluindo o fechamento do comércio, de restaurantes e locais de festa. Enquanto isso, a previsão do tempo passou a marcar chuva para o dia, sendo que o espaço da cerimônia era ao ar livre. O cenário parecia preocupante.


Conversei com os noivos: o casamento seria mantido e eles estavam decididos a casar como fosse possível, sendo felizes com sua decisão. Para se adaptar às novas regras, foi feito um modelo misto: somente cinco pessoas estariam presentes junto aos noivos (o que quase o tornou um elopement wedding). Além delas, três casais, cada um dentro de seu carro, observariam a cerimônia a partir do estacionamento (usando o modelo de casamento drive-in) e pelos seus celulares, assistindo à transmissão ao vivo. Via Zoom, do outro lado de uma tela, todos os outros convidados e até o celebrante, que conduziria a cerimônia pelo notebook.


Às 18 horas do Grande Dia, o Matheus caminhou com seus pais, de braços dados, sob os olhares de convidados que ele não via. A Vanessa chegou com seu Fusca e, de mãos dadas com sua mãe, foi até o Matheus menos de dois minutos depois. Juntos, sentaram-se embaixo da figueira, em frente a um computador, enquanto uma fina chuva caía abençoando a sua união. Foi íntimo, profundo e emocionante.


Por causa do tablado molhado pela chuva, a dança oficial foi cancelada. Depois das câmeras desligadas e de fazermos um miniensaio maravilhoso com os noivos, eles mostraram a coreografia que haviam preparado e fiz mais algumas fotos. Logo encerramos a noite: todos molhados e com sorrisos nos rostos.


Eu estou acostumado a ver casais que se apegam a uma projeção: nosso casamento será assim, em tal data, o céu estará azul e celebraremos da maneira que sonhamos. Caso algum elemento necessite alteração - como a proibição ou redução de convidados em função da pandemia ou o tempo chuvoso em um casamento externo - os noivos se apegam ao sonho e sofrem por não conseguirem fazer da sua maneira ou na data que desejam. 


Aqui, não. Eles aceitaram o dia que lhes foi dado e escolheram se divertir ao invés de sofrerem e ficarem desapontados. Eles têm segurança um no outro e sabem que, com os dedos entrelaçados, conseguem enfrentar qualquer coisa. Isso me marcou. Afinal, nós não temos controle sobre tudo o que acontece na nossa vida, mas temos controle sobre como reagimos, não é?


A partir de então, estamos dispostos a aceitar o que o universo nos der em relação ao nosso casamento. Estamos com tudo marcado para daqui a alguns meses. Se for permitido casar, casaremos. Sem sofrer por aquilo que não controlamos. Aceitando a história que é única de cada família.


Obrigado, Matheus e Vanessa, por serem inspiração!