Imagem capa - Por Que Escolhi Fotografar Casamentos Depois de Quase Largar a Fotografia por Diogo Sallaberry
Motivos

Por Que Escolhi Fotografar Casamentos Depois de Quase Largar a Fotografia

Eu me formei em Jornalismo, mas, desde o início da faculdade, foquei na fotografia como ferramenta para contar histórias. Fiz estágios como fotógrafo em jornais e empresas e, na época da formatura, passei um ano mais focado nos eventos. No feriado de 20 de Setembro de 2011, fui selecionado para o mestrado em Fotojornalismo e Documentário Fotográfico em Londres, Reino Unido - o mais prestigiado do mundo. Foi uma experiência incrível, com profissionais selecionados a dedo de todos os continentes, mas que eu conto outra hora. 



Foto feita em Londres no dia que participei como bolsista convidado do workshop da Magnum Photos, mais reconhecida agência de fotografia do mundo



Mesmo morando na apaixonante capital britânica, decidi voltar para o Brasil, para colocar o meu conhecimento recém adquirido em prática por aqui. Trabalhei por um período curto em agências de notícias e logo fui contratado como repórter fotográfico, em Caxias do Sul, em uma equipe de cerca de 50 jornalistas. E eu era bom. No início, tinha muita coisa do mestrado que não sabia traduzir em imagens, mas fotografar 8 horas por dia, seis dias por semana, foi um laboratório de crescimento rápido. Pude testar luzes, abordagens, composições. Mais importante, pude entender melhor as pessoas. 


Eram duas, três, quatro casas/vidas/famílias/grupos diferentes com que eu me relacionava por dia. Todos os dias. Eu aprendi a ser mais plural, mais consciente do outro. Aprendi a ouvir, a acalmar, a ajudar. E minhas fotos mudaram a vida de muita gente, sendo reconhecidas por isso. Dos cinco anos que trabalhei no jornal, ganhei por quatro vezes o prêmio de melhor fotografia. Só que a última foto que ganhou esse prêmio me cortou o coração e quase me fez largar tudo.


Houve um atropelamento de uma criança e fomos chamados. O menino estaria no acostamento após atravessar a estrada, indo para a escola, quando um caminhão o atingiu. Era um dia chuvoso. O guarda-chuva estava quebrado na lateral da via. Sentada sobre o asfalto, a mãe segurava a mão do filho, já sem vida. Muitos curiosos fotografavam e filmavam a cena; eu fiquei de longe e fiz poucas fotos, sabia que era algo muito forte e que já estava mexendo comigo. Na redação, houve debate desde a manhã até o fechamento do jornal, inclusive com a opinião do presidente de jornalismo da empresa, sobre publicarmos ou não. Foi capa do dia seguinte, causando uma reação dividida entre os leitores.


Alguns dias depois, fomos chamados para outro acidente e eu tive um quadro de estresse agudo - não consegui pegar a câmera e precisei pedir para um colega me cobrir. Comecei a questionar a profissão, pensei em largar o jornalismo, ainda mais, largar a fotografia. Algo dentro de mim se quebrou e pensar em fotografar passou a me dar medo.


Eu fui atrás de ajuda. Esse período foi um processo de autoconhecimento em que consegui me reencontrar, entender o que estava sentindo e o que me fazia mal nessa história. Me desafiei a fotografar todos os dias, 365 dias do ano, com o que pudesse - celular, câmera... até me reaproximar da fotografia.  Cumpri a minha meta, me apaixonei novamente pelo meu trabalho e vi que o problema não era fazer imagens, mas imagens de coisas tristes.




Durante o Projeto 365, uma foto minha, feita de celular na cidade gaúcha de Antônio Prado, foi selecionada pela Apple para ser usada no Instagram oficial da marca, alcançando milhões de pessoas e com centenas de milhares de curtidas.



Decidi que ia dar outro rumo para minha vida e comecei a clicar cada vez mais coisas boas. Comemorações, festas, momentos, pessoas que eu gosto, o movimento das ruas e tudo mais que me encantava. 


Mesmo eu entregando 100% todos os dias no jornal - até porque me reencantei pela câmera e fazia as pautas com gosto -, o meu trabalho em paralelo estava crescendo e as pessoas estavam vendo. Eu passei a defender ainda mais o poder e a mensagem do que fotografava, sempre com a ideia de focar no positivo. 


A partir daí, comecei a minha transição. Meio ano depois, voltei a fotografar casamentos. Um ano e meio depois, saí do jornal e, em seguida, abri a minha empresa. Hoje, sou ainda mais apaixonado pela fotografia 



Cada história que eu contei desde então foi única - porque coloco a atenção nos detalhes que fazem uma festa especial. Os sentimentos, as escolhas, as pessoas que convidaram para compartilhar sua alegria - tudo importa e é captado pela proximidade que consigo com os noivos.



Fotografei cada vez mais ensaios, formaturas e, principalmente, casamentos, e isso passou a me alimentar - tanto no sentido financeiro quanto, ainda mais, espiritual. Me faz bem contar uma história feliz, de amor e união, de vitória, de parceria. Estar com alguém em um dia alegre, cercado das pessoas que mais ama e poder mostrar isso com o meu trabalho é incrível. Sem falar no retorno dos noivos ao verem as fotos, ser agradecido por emprestar meu olhar, por dar atenção para as pessoas na festa, por ser simpático com todos. Coisas simples que não eram reconhecidas antes. 


É isso que eu quero fazer e por isso que eu faço com tanta gana. Há poucos dias fui elogiado por uma pessoa que me observou trabalhando. Ela disse que é bonito de me ver trabalhar porque eu estou sempre sorrindo por trás da câmera. E é isso. Eu realmente gosto do que faço. E quero conhecer mais gente, contar mais histórias boas. E conto com vocês para me ajudarem nesse caminho. Vamos?